H apenas oito semanas, um espectro obcecava o Brasil. Era o espectro do PT-Lulismo! Para exp-lo  luz do dia no se juntaram numa caa santa o papa, o czar, Metternich e Guizot, os radicais franceses e os policiais alemes. Apenas o povo, mobilizado pelo real!

O PT demonstrou que conhece o proletariado da mesma forma que o velho mestre: pela literatura. Foi incapaz de entender onde residiam a fora e a fraqueza do programa. A sua maior fraqueza  a do "tempo".

Ele (como foi dito na ocasio) deveria ter sido implementado em julho ou agosto de 1993 para aproveitar a reviso constitucional nos termos do artigo 3 das Disposies Transitrias da Constituio. Mas isso no pode ser explorado pelo PT. O governo e os partidos que o apiam fingiam que queriam a reforma, mas o PT lutou abertamente contra ela.

Como  evidente, a reforma da Constituio implica transferncia de poder e de renda e, frequentemente, dos dois.

Se o governo e os partidos que o apiam tivessem se engajado na reforma teriam desagradado mltiplos e variados grupos cujo poder vocal certamente ultrapassaria os silenciosos beneficiados. Logo, calcular cuidadosamente o momento da reforma monetria era preciso.

O que o PT no entendeu  que esse inequvoco oportunismo eleitoral no fala necessariamente contra o programa, pois so coisas distintas.

Pode-se lamentar (e cremos que se deva) a oportunidade perdida, mas no se pode imaginar que ela polui o programa.

Ele  bem feito para atingir alguns objetivos: eliminar a inflao inercial e reganhar o controle da oferta monetria.

A implementao do programa e seus suportes psicolgicos (a transfuso monetria, o real "verde", a farsa de que ele vale mais do que o dlar etc.) devem muito  figura do ministro Ricupero e ao seu carisma beneditino que alia a piedade ao trabalho duro.

Quando ele diz que at agora foi feito apenas o "incio do comeo do princpio" ganha credibilidade. No tenta enganar a sociedade e a adverte sobre os riscos que cercam o real, se as mudanas institucionais requeridas no forem feitas.

O real  um emprstimo-ponte para a Presidncia. Seu prazo de carncia deve ser suficiente para criar as verdadeiras condies de sustentabilidade da estabilidade monetria.

Seu objetivo  extremamente modesto e  por isso que no se pode exigir que ele resolva o problema do salrio mnimo, do salrio real, da distribuio de renda, do desenvolvimento econmico, da educao, da sade e assim por diante...

A inflao verdadeira, a que se media no tempo da moeda indexada pela diferena entre duas URVs, est a inteira, nos esperando na esquina se soltarmos a ncora salarial.

E  um sonho pensar que poder ser controlada apenas pela poltica monetria, a no ser com custo social abusivo. Muito em breve o perodo de carncia do real estar vencido e as aspiraes da sociedade por outros valores (alm da estabilidade) emergiro com fora insuspeitada.

Exatamente como se verifica agora no terremoto da inverso das preferncias do povo pelos candidatos  Presidncia.
